Texto:
Rodrigo Eisinger, Gaitista e mestrando
em música
(UNICAMP)
Conheça
detalhes dessa técnica
Otavio Castro tem sido
considerado por muitos como um dos
precursores no uso da técnica do
cromatismo no Brasil, e em particular
na utilização de apenas
uma harmônica diatônica
afinada em C para a execução
de repertórios. A escolha por
esta forma de execução foi uma surpresa
para muito harmonicistas no Brasil,
que tiveram conhecimento do seu trabalho
no Encontro Internacional de Harmônicas
de 2003. Devo confessar que eu mesmo
não acreditava nesta possibilidade,
tendo em vista o fator de comparação
com as escolhas de Howard Levy, que
utiliza harmônicas em outras
afinações em seus shows
e gravações.
Esta nova forma de tocar harmônica
diatônica é muitas vezes
vista como uma escolha “radical”,
e até mesmo equivocada. No entanto,
constatamos que ela permite uma utilização
plena de recursos no instrumento até então
não pensados pelos harmonicistas.
Em uma análise mais direta podemos
dizer que, o caminho seguido pelo Otavio
segue a lógica de uma performance
plena em um instrumento cromático,
o que para isso necessita de um estudo
bem direcionado as características
específicas das técnicas
combinadas para o cromatismo, sendo
assim tal escolha auxilia em aspectos
como a precisão na afinação
de notas, localização
das notas no instrumento, utilização
de articulações diferenciadas,
equilíbrio na execução
de escalas e etc.
"Otavio Castro inaugura uma nova vertente
na gaita Brasil. Tocando cromaticamente
sua harmônica diatônica,
ultrapassa os limites do instrumento,
equiparando-a a harmônica cromática
com vantagens. Rapidamente dará o
que falar aqui e além mar." Flávio
Guimarães, gaitista.
Tendo conhecimento do trabalho
do Otavio, é possível
ouvir um grande controle técnico
nestes quesitos, permitindo a execução
de temas de grande complexidade, como
por exemplo as composições
de Hermeto Pascoal. O seu trabalho
tem como grande mérito surpreender
a audiência com execuções
precisas de musicas com alto grau de
dificuldade para qualquer instrumento,
além de uma invejável
capacidade de improvisação.
Desta forma o aproveitamento no contexto
da improvisação é uma
das grandes vantagens, pois é possível
trabalhar com as modulações
de forma mais direta, fugindo da troca
de gaita, adquirindo assim maior capacidade
de execução de idéias.
Por isso, esta maneira de pensar
a harmônica diatônica redescobre
o instrumento como algo novo. Nesse
sentido, abre-se um novo enfoque da
harmônica diatônica no
cenário da música instrumental
brasileira. Desenvolve-se também
uma maneira diferente de ouvir a gaita,
sem possibilidade de comparações
com outras abordagens na execução
musical, pois o que existe é uma
grande diferença de timbre e
fraseado, dentro desta nova estética.
“Otavio está comendo a gaita,
tocando muito e o mais importante:
criando um estilo próprio. A
técnica foi criada por Howard
Levy e com certeza Otavio bebeu nessa
fonte, mas, ele não ficou só nisso,
abriu novas frentes, está tocando
tudo, com um bom gosto incrível
e com um timbre maravilhoso, coisa
muito difícil para quem usa
essa técnica." Jefferson
Gonçalves, gaitista.
Acredito que esta forma de
tocar não
exclui, nem menospreza nenhuma outra
execução da harmônica,
sendo uma contribuição
maior ao grande universo musical em
que vivemos. Otavio Castro, juntamente
com harmonicistas como, Howard Levy,
Tinus Kornn, entre outros, tem elevado
a técnica do instrumento a limites
não antes pensados, o que demanda
investimento na construção
de instrumentos que aumentem ainda
mais possibilidades dentro dessa maneira
de pensar a e tocar a harmônica.
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